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Estamos a assistir à última geração de empregados?

Summit Business School

18 junho 2025

3 min leitura

Joana tem 26 anos, vive entre Lisboa e Madrid, e trabalha em três projetos ao mesmo tempo: é designer para uma startup belga, consultora criativa para uma ONG africana e criadora de conteúdos para uma marca de skincare natural. Nunca assinou um contrato tradicional. Nunca teve um "emprego fixo". E, ainda assim, nunca se sentiu tão realizada profissionalmente.

Será Joana uma exceção... ou o novo normal?

De onde vimos?

Durante décadas, o percurso profissional era linear e previsível: estudar, conseguir um emprego, progredir na carreira, reformar-se. O trabalho era sinónimo de estabilidade. Havia horários, chefes, regras, segurança social. Ser empregado era o destino natural de quase todos.

Mas esse modelo está a ser questionado.

Para onde vamos?

Estamos a viver uma transição geracional e estrutural. O trabalho já não é o mesmo. O que antes era exceção (ser freelancer, trabalhar remotamente, empreender sozinho/a) tornou-se tendência dominante em muitas áreas.

Os sinais da mudança são:

  1. Tecnologia como motor e substituto: Ferramentas de IA, automatização e plataformas digitais reduzem a necessidade de trabalho humano, sobretudo em tarefas repetitivas.
  2. Economia on-demand: As empresas contratam talento sob medida, por projeto, por tempo limitado. A ideia de "contratar para sempre" perdeu força.
  3. Mentalidade empreendedora: As novas gerações não esperam ser empregadas: querem criar, experimentar, mudar. Valorizam liberdade e impacto pessoal acima de estabilidade.
  4. Desmaterialização das estruturas: Escritórios físicos, horários fixos e equipas estáveis estão a dar lugar a redes colaborativas, fusões temporárias e ecossistemas de talento distribuído.

O outro lado da moeda

Contudo, este novo paradigma não é isento de críticas nem de riscos. A liberdade do freelancer pode transformar-se em insegurança. O sonho de empreender pode ser pesadelo sem rede de proteção.

  • Isolamento e sobrecarga emocional: A ausência de uma equipa fixa pode gerar solidão, stress e falta de apoio em momentos difíceis.
  • Desigualdade de oportunidades: Nem todos têm acesso à educação, rede de contactos ou capital para lançar projetos próprios.
  • Desregulação laboral: Muitos trabalhadores independentes ficam fora dos sistemas de proteção social, previdência ou saúde.
  • Cultura empresarial em risco: A inovação e a coesão de equipas podem ser prejudicadas quando não há continuidade nem valores partilhados.

Uma transição, não um fim

O mais provável é que estejamos a viver uma metamorfose, e não um desaparecimento. A figura do empregado vai continuar a existir, mas com novas formas, funções e significados. O futuro será híbrido, e isso exige preparação.

Na Summit Business School, defendemos uma visão humanista e estratégica do trabalho: formar profissionais capazes de navegar entre a autonomia e a colaboração, entre o risco e a responsabilidade, entre o digital e o humano.

O essencial é escolher conscientemente

O mais importante não é se vais ser empregado, freelancer ou empreendedor. O essencial é saber porquê, com que valores, e com que competências. Porque o trabalho do futuro —mais do que um contrato— será um espelho do teu propósito.

O trabalho do futuro não será dado. Será construído.

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Ana Silva Hélio Mukivirele Susana de Sousa Gustavo Levy Sheila Marques